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Para amenizar
o tédio de cumprir com uma obrigação
num mundo de bom-vivants, eles decidem – dentro de uma festa para
convidados – encenar uma peça: “A Dupla Incostância”, de Pierre de
Marivaux, um dos maiores dramaturgos franceses do século XVIII.
O organizador de todo o evento é o Conde de Ferbroques. Ele convida Lucile – professora que veio cuidar dos 12 órfãos – para representar o papel de Sílvia, uma moça “terna sem ser romântica; boa sem ser ingênua e íntegra sem ser dura”, segundo ele próprio. Tanto na peça quanto na vida real acontece o mesmo: o Conde se apaixona pela moça. Não que os adultérios sejam um problema na vida desses aristocratas, já que são assumidos pelo Conde e pela Condessa – desde que sejam com alguém da mesma classe social. O envolvimento do Conde com Lucile faz com que a Condessa arme com os outros convidados uma conspiração para expulsar a professora do castelo. Uma das características da obra de Jean Anouilh é explorar o conflito entre o ideal e a realidade. Em “O Ensaio”, escrito em 1950, Lucile é uma moça pobre, digna e idealista que encara os valores invertidos dos decadentes aristocratas franceses. Os ataques da Condessa e seu grupo contra Lucile mostram como a máscara de indiferença e desdém pode se transformar num ódio calculado e eficaz. Com isso, o autor nos conta como agem alguns grupos sociais que fazem de tudo para que tudo permaneça como está. O fim de uma era é o paralelo entre os textos de Marivaux e Anouilh. Em “A Dupla Inconstância”, as personagens vivem a decadência da aristocracia no século XVIII, pouco antes da Revolução Francesa, e se entregam às relações amorosas entre classes. No texto de 1950 – ressaca da Segunda Guerra Mundial – a elite, vivendo uma época que já terminou, se agarra às aventuras no amor como a uma tábua de sobrevivência. Se em “A Dupla Inconstância” as personagens amam por ócio, em “O Ensaio” elas amam por vício. O espetáculo é realizado com recursos do Myriam Muniz e do PAC e dá seqüência ao projeto de repertório do grupo, que vem analisando as classes dominantes com viés crítico. . Ficha técnica: O ENSAIO, de Jean Anouilh Direção - Eduardo Tolentino de Araújo Realização - Grupo Tapa Figurinos - Lola Tolentino Cenário – Paulo Mamed Iluminação - André Canto Programação Visual - Zé Henrique de Paula Divulgação - Boca de Cena Comunicação Produção - Grupo TAPA Recomendação – 14 anos Duração: 120 minutos Gênero: Comédia dramática Elenco - Grupo TAPA: Adriana Alencar, Anna Cecília Junqueira, Clara Carvalho, Douglas Simon, Luiz Baccelli, Walter Breda e Zécarlos Machado Serviço: O Ensaio Duração: 120 minutos Temporada de 11 de julho a 28 de setembro Sextas e sábados, às 21h; domingos, às 19h Ingressos: Sextas e domingos, R$ 40; sábados, R$ 50 Meia entrada para idosos, estudantes e classe teatral Ingresso pela APETESP (www.apetesp.org.br) – R$ 5 Capacidade: 449 lugares Teatro Imprensa Rua Jaceguai, 400 - Bela Vista Tel. (11) 3241-4203 Vendas: Ticketmaster – Tel. (11) 6846-6000 (Aceita todos os cartões de crédito) Ar-condicionado; bar e café; acesso para deficientes físicos
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